Derrota do negacionismo

Quem perdeu foi você, a democracia será o melhor caminho para sua escolha.

No primeiro turno das eleições municipais o presidente Jair Bolsonaro foi considerado um dos grandes derrotados, neste segundo turno manteve o mesmo destaque e respostas nas urnas, o único prefeito eleito que assumiu o bolsonarismo foi o Delegado Pazolini (Republicanos) em Vitória/ES.

O maior partido do Brasil no campo político, o PT, venceu apenas 4 das 15 disputas em que participava. Elegeu prefeitos neste domingo (29/11) em importantes cidades: Diadema (SP), Mauá (SP), Contagem (MG) e Juiz de Fora (MG), mas pela primeira vez, desde 1985, o partido do ex-presidente Lula não leva uma capital. O PSOL elegeu 1 prefeito que já foi prefeito por dois mandatos pelo PT no Belém (PA).

Já o presidente Jair Bolsonaro viu o fortalecimento do governador, ex aliado em 2018, João Doria (SP), seu atual desafeto. O PSDB ficou com quase metade dos votos do eleitorado do Estado mais populoso do país. Seu aliado Celso Russomanno (Republicanos) ficou em quarto lugar no primeiro turno. No Rio de Janeiro Marcelo Crivella (Republicanos) teve pouco menos de 36% dos votos válidos diante de Eduardo Paes (DEM).

Creio que que o Bolsonaro se caracterizou ao longo de sua trajetória política como um outsider. Nunca foi tradição do ex-deputado do chamado baixo clero a fidelidade partidária ou grande afinco por eleições majoritárias, a não ser a que ele disputou em 2018 na base de mentiras e uso indiscriminado das fake news (existe processo contra a dupla Bolsonaro e Mourão tramitando no TSE). Creio que sua situação não é confortável para uma tentativa de reeleição em 2022 se conseguir chegar lá, vai depender da fragmentação dos rivais. Vejo o campo da esquerda em situação evolutiva para a conjuntura dada e os estragos provocados em nome do ódio, difamação e fundamentalismo religioso praticados no Brasil.

Em duas capitais nordestinas, siglas mais à esquerda obtiveram importantes vitórias. Na capital cearense, uma ampla aliança entre PDT, família Gomes, PT, entre outros, garantiu a eleição de José Sarto. Mas o triunfo em Fortaleza não foi tranquilo sobre Capitão Wagner, que obteve pouco mais de 48% dos votos.
No Recife, o clã Arraes fez um segundo turno tenso, de agressões verbais, e o filho do ex-governador Eduardo Campos (PSB), morto em 2014, tornou-se o mais jovem prefeito de capital do país ao bater a prima Marília Arraes (PT). João Campos, 27 anos, obteve pouco mais de 56% dos votos válidos.

As mulheres tiveram consideráveis avanços nesta eleição. Palmas (TO) reelegeu Cinthia Ribeiro (PSDB). A vice na chapa de Fernando Haddad (PT) nas últimas eleições presidenciais, Manuela d’Ávila (PC do B), acabou derrotada por Sebastião Melo na disputa pela Prefeitura de Porto Alegre após uma eleição conduzida por fortes ataques e acusações de baixo nível.

Por outro lado, não consideramos o resultado um fracasso para o campo da esquerda. Guilherme Boulos (PSOL) foi ao segundo turno na capital paulista saindo fortalecido para um novo embate e organização dos partidos do campo da esquerda. Mas o grau dessa competitividade em 2022 vai depender basicamente de dois fatores: o desempenho do governo Bolsonaro nos dois últimos anos de mandato e o grau de coordenação e organização da oposição em diferentes Estados, num momento em que a lei eleitoral vetou a coligação dos cargos majoritários com os legislativos.

A eleição municipal de 2020 foi basicamente a manutenção do status quo, não necessariamente de esquerda ou direita, mas em geral de nomes que davam sinal de continuidade.

A disputa deste domingo em 18 capitais foi de poucas surpresas, com a virada de candidatos que estavam em segundo lugar e acabaram vencendo a eleição apenas em Manaus, com David Almeida (Avante), Cuiabá, com a reeleição do atual prefeito Emanuel Pinheiro (MDB), e João Henrique Caldas (PSB), que ficou em segundo no primeiro turno em Maceió por uma diferença de pouco mais de mil votos.

No saldo de primeiro e de segundo turno, o MDB levou cinco capitais e o DEM e PSDB levaram quatro cada um.

Abstenção

O país registrou 29,5% de abstenções no segundo turno das eleições neste domingo, o maior índice desde 1996. Houve aumento consecutivo de abstenções no segundo turno das eleições municipais desde os anos 2000. O ranking de ausências é liderado pelo pleito atual, seguido por 2016 (21,6%) e com 1996 na terceira posição (19,4%). Já em 2012 o índice foi de 19,1%.
Na capital paulista, a taxa de abstenções foi de 30,81% nessa eleição. Um recado dado a insatisfação do eleitorado com os ataques e negação da ciência, falta de zelo e respeito a vida das pessoas em plena pandemia.

Acreditamos que a educação, conscientização, organização, respeito e proteção social serão fundamentais para construção de uma saída para alternar essa coisa em curso no comando do país e na contramão da democracia.

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