É chegada a hora final de Bolsonaro

* Análise de Milton Temer 

É CHEGADA A HORA FINAL de Bolsonaro no governo militar-miliciano que nos assola? As classes dominantes – banqueiros e agronegócio, na ponta – partirão para o golpe final, sacando o tenente expulso para que seu projeto neoliberal, privatista, antissocial, seja mais eficazmente conduzido pelo vice, general?

A DIFERENÇA DE TRATAMENTO que a Globo dá a um e a outro já é gritante. 

Mourão, neoliberal convicto, que explicita seu desapreço por Geisel por sua vertente estatista, simultânea à admiração desabrida por Médici, e pelo “herói” Brilhante Ulstra, é tratado como se fosse um racional em meio a um pântano de irracionalidade. Como se não tivesse nenhuma responsabilidade nas iniciativas tomadas pelo governo que apoia.

A CRISE DE MANAUS, e a resposta abjeta a ela dada pelo governo militar-miliciano que nos assola, escancara uma movimentação que já teve passo importante, numa entrevista de MiniMaia. Ele ali admite procedência para eventual processo de impeachment, em função da responsabilidade consciente do governo Bolsonaro, e seus acólitos, nessa crise trágica de Manaus e do Amazonas. Sim, o mesmo MiniMaia que, presidente do covil parlamentar, sentou em cima de mais de 50 apresentados em função dos mais diversos crimes de responsabilidade anteriormente cometidos pelo miliciano-chefe. 

JUNTE-SE A ISSO algo prioritário para o grande capital: a resistência de Bolsonaro contra os passos iniciais de uma até hoje inimaginável, mas programada, tenebrosa transação para privatizar o Banco do Brasil, com a manobra de enxugamento de pessoal e mais uma redução drástica de agências da histórica instituição.  E temos aí o pano de fundo para a radicalização dos comentaristas “por encomenda” da Globo em suas justas denúncias contra o genocídio resultante do comportamento do governo federal, e seus acólitos, que estimularam as manifestações contra o locaute que já se fazia necessário desde dezembro no Amazonas.

OU SEJA, na ideologização típica que a  Globo imprime a seus noticiários comentados, a crise amazônica cai como uma luva na manobra de unir o útil ao agradável nos objetivos do grande capital. Defenestra o vilão, responsável pela forma criminosa como a pandemia foi programaticamente desprezada no Brasil, e coloca no lugar um outro militar, general, muito mais domesticado para o tratamento do projeto econômico que constitui a essência e razão de ser deste regime.

RESTA SABER como reagirá a base social armada do miliciano-chefe (militares da ativa, polícias estaduais, milícias privadas) sobre as quais Bolsonaro exerce indiscutível liderança, a partir de um trabalho militante de doutrinação direta, em cada evento, por menos expressivo que pudesse ser, em qualquer rincão distante que pudesse estar operando.  

QUAL O PROBLEMA MAIOR na exploração dessa contradição no seio das classes dominantes? A influência orgânica da esquerda combativa possa ter no processo é mínima. Suas bancadas parlamentares encontram seus parlamentos em recesso. Com o agravamento da crise sanitária, é improvável que haja convocação de massas para mobilizações urbanas ou atos em ambientes fechados. O que pode nos levar à conclusão de que a solução se dê por decisão das classes dominantes, com a sociedade civil se vendo na condição dos “bestializados” da proclamação da República.

FUNDAMENTAL, portanto, que as lideranças do campo combativo da esquerda se manifestem, exigindo que qualquer sanção contra Bolsonaro se estenda a seu vice, Mourão, tão responsável quanto ele na tragédia que vive hoje o povo brasileiro, solidário com seus irmãos do Norte. 

Luta que Segue!!

*Milton Temer – Ex. Deputado Federal e militante do PSOL-RJ / Jornalista. 

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