A Universidade de Havana caminha entre o povo

Autor: Alina Perera Robbio | perera@juventudrebelde.cu

«Eu queria, mais do que agradecer, reconhecer a importância do papel que vocês desempenharam». Desta forma, o presidente da República, Miguel Díaz-Canel Bermúdez, expressou-se na manhã da quinta-feira, 25 de março, durante um intenso e emocionado diálogo com alunos e professores da Universidade de Havana.

O chefe de Estado o fez em clara alusão à maneira como Cuba enfrentou a Covid-19, um desafio gigantesco que se juntou a outros já existentes na nação caribenha, e diante do qual brilhou o seu tesouro intangível que é o conhecimento.

Do edifício Enrique José Varona da Universidade de Havana, Díaz-Canel convocou seus interlocutores a avançar, como uma grande equipe, em tudo o que o país sonha e realiza.

Em um encontro já realizado em outros ambientes de Cuba, para rever o quanto fizeram nossas casas de estudos superiores nestes tempos da Covid-19, o presidente convidou a imaginar o que teria acontecido se não tivéssemos a ciência fortalecida em tantos anos, de não ter tido o atual sistema de saúde –ao qual não faltou capacidade de assimilar a inovação. Perguntou o que teria acontecido sem a participação de estudantes universitários, de jovens que saíram espontaneamente para realizar tarefas de alto risco, sem esperar ser convocados.

Era inevitável que o presidente mencionasse, também, «a qualidade de nosso povo, porque independentemente se às vezes nos irritamos, ou se alguém tem alguma insatisfação por algum comportamento, por alguma indisciplina, o povo tem se movido numa situação muito complexa no familiar, muito complexa no âmbito individual, muito complexa na vida, mas, de um modo geral, houve uma resposta, e é isso que tem permitido que nossos indicadores no confronto à Covid-19 sejam mais elevados em nível mundial».

«Teremos que prestar, juntos, uma homenagem ao nosso povo, e nesse reconhecimento as universidades ocuparão um lugar especial», avaliou o presidente durante o encontro, que contou com a presença do membro do Bureau Político do Partido Comunista e primeiro vice-ministro Roberto Morales Ojeda; o ministro da Educação Superior, José Ramón Saborido Loidi; bem como autoridades partidárias e governamentais na capital.

O encontro teve um início singular: foi lida uma Resolução Reitoral que resolve um Reconhecimento Especial da reitora da Universidade de Havana, Doutora em Ciências Miriam Nicado García, ao presidente Díaz-Canel, bem como a entrega ao presidente, do selo daquela casa de estudos superiores, «central na história nacional e baluarte da nossa Revolução Socialista».

Entre os motivos para tal reconhecimento em ato público, neste dia 25 de março, a Resolução inclui, em referência ao Chefe do Estado, «sua vocação científica», que lhe tem «permitido-lhe conduzir processos estratégicos na direção da política geral de Cuba, nacional e internacionalmente, como o enfrentamento à pandemia da Covid-19, a reorganização do sistema monetário e cambial, o trabalho político e ideológico, a atenção aos problemas sociais, a prioridade no desenvolvimento de setores estratégicos, na informatização e no uso da comunicação social, no aperfeiçoamento do sistema jurídico, na projeção solidária e internacionalista de nosso país».

Em meio a aplausos, a reitora Miriam Nicado, integrante do Bureau Político, cumpriu a Resolução e a seguir relatou tudo o que foi feito nos últimos tempos pela Universidade de Havana. Mencionou os três locais de isolamento sanitário apoiados pela prestigiosa instituição, as mobilizações espontâneas de alunos e professores, as jornadas agrícolas, as doações de sangue, os trabalhos científicos baseados nas urgências do país, as conquistas editoriais e, de uma forma geral, uma filosofia de pensar como país, de trabalhar com outras entidades, por exemplo, em mais de 40 tarefas focadas nos setores de energia, produtos biológicos e informatização.

A reitora falou de outras atribuições, entre elas, o atendimento a 153 locais que fazem parte do Sistema de Atenção à Família (SAF) da capital, a articulação entre ciência e Governo, a participação da Universidade nos atuais testes com os candidatos à vacinação , incluindo o cuidadoso trabalho de coordenação em todos os centros de vacinação da província.

Os depoimentos de alunos e professores se sucederam, mais de uma vez intercalados com perguntas e reflexões do presidente cubano. Quem mora nesta grande família universitária tem muito a dizer sobre como organizar melhor o SAF e o funcionamento dos isolamentos, sobre como fazer para que a comunicação venha otimizar cada serviço.

Os jovens, já marcados para sempre por meses de uma experiência intensa e de grande fibra humana, enfatizaram o valor do controle popular, voltaram, uma e outra vez, a uma realidade que implica um grande salto: a Universidade de Havana, tal como outras no país, saiu às ruas, ali onde o povo luta para sair vitorioso em várias batalhas.

PALAVRAS PARA UMA UNIVERSIDADE DE CUBA TODA

No final do encontro, onde os presentes passaram de uma emoção a outra, ouvindo esses jovens sem preconceitos e sinceros, o presidente Díaz-Canel lembrou Julio Antonio Mella, nascido em 25 de março de 1903. Relembrou sua presença e exemplo paradigmático.

Agradeceu à Universidade de Havana o reconhecimento que lhe foi concedido, que definiu como algo de grande valor. Relembrou outras etapas de seu trabalho como líder e quis destacar o quanto esse centro de estudos superiores contribuiu para ele em conhecimento e formação.

«A Universidade de Havana», disse, «será sempre paradigmática, porque é a nossa universidade mais antiga e porque, como todos dizem, é a Universidade de Fidel», e a definiu como um turbilhão de debates e múltiplas contribuições.

O chefe de Estado fez uma lista das contribuições essenciais da Universidade de Havana à sociedade: as formas de informatização – tanto o governo como o comércio eletrônico– os 33 programas de governo que estão sendo realizados e dos quais participaram acadêmicos e cientistas, muitos dos quais são da casa de estudos superiores, e da incorporação das ciências sociais.

Sobre esta última contribuição e sua importância, o chefe de Estado deu como exemplo que se pode tentar mudar uma tecnologia no campo da agricultura, mas se isso não for acompanhado de saber, através das ciências sociais, quais são as motivações, as aspirações, a cultura de cada cenário, é muito provável que o propósito venha a falhar, pois os arquitetos das possíveis mudanças não foram estudados antes.

Díaz-Canel destacou o papel desempenhado pela Universidade de Havana, com seu conhecimento, nos processos de nascimento de vacinas candidatas, no desenvolvimento de modelos matemáticos que tanto ajudaram, nestes tempos, a predizer o comportamento da Covid-19, na elaboração de modelos geográficos ou demográficos.

«A Universidade de Havana terá sempre entre suas atribuições tratar dos problemas centrais do país», destacou o presidente, destacando que as transformações na capital, se forem para melhor, também tornarão o país melhor no ordenamento comunitário, na ordem da gestão governamental –onde ainda temos que colocar muita ciência– na ordem da preparação dos quadros, e outros processos vitais.

Ao falar das pesquisas humanísticas — muitas na instituição — o presidente fez referência a temas nos quais Cuba travou grandes batalhas e que o inimigo pretende capitalizar: a luta contra todas as formas de discriminação, a defesa das mulheres, o cuidado dos animais. «São questões», disse, «que não devemos temer, sobre as quais devemos refletir para continuarmos avançando».

O presidente falou de outros temas cardeais: do trabalho ideológico para defender a Revolução, de estar nas redes virtuais com os nossos conteúdos, apesar da perversão do inimigo, de aplicar ciência e inovação à política de quadros, e outras arestas que são fundamentais na construção do socialismo cubano.

«Poderíamos sistematizar um encontro, a cada dois meses, entre as lideranças do Governo do país com a Universidade de Havana, e vamos tratando desses temas», propôs o presidente, que quis saber mais de uma vez se os presentes estiveram em acordo.

Aos alunos e professores que têm participado nas tarefas de enfrentamento da Covid-19, Díaz-Canel Bermúdez lhes disse que «cresceram como seres humanos, como revolucionários, como cidadãos; cresceram em sentimentos, em valores, em convicção». E fez também uma observação que fala da contribuição de nossas universidades hoje: os que aceitaram participar fizeram desaparecer as barreiras entre os campus acadêmicos e a sociedade, tão precisada dessa inteligência.

Fonte: http://pt.granma.cu/

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s