Butantan tem debandada em diretoria que testa vacinas contra covid

Diretor de Pesquisa e sete funcionárias da área pediram demissão contrariados: “Tínhamos muitas obras para tocar”

Por: Brasil de Fato.

Instituto Butantan teve uma debandada no comando da Diretoria de Pesquisa Clínica, área responsável pelos testes de imunizantes contra a covid-19. Em julho, o chefe da área, Ricardo Palácios, seis funcionárias em cargos de gerência e pelo menos uma pesquisadora associada solicitaram desligamento do órgão. O grupo é responsável pelos ensaios clínicos da vacina Coronavac, desenvolvida em parceria com a farmacêutica chinesa Sinovac, e da Butanvac, que pretende ser a primeira “vacina brasileira” contra o novo coronavírus.

A saída dos funcionários foi confirmada pelo próprio Instituto Butantan. Em contato telefônico, a assessoria de comunicação do órgão disse inicialmente ao Brasil de Fato que eles “não foram demitidos” pelo governo estadual, mas evitou dar detalhes sobre os desligamentos.

Em seguida, após a reportagem cobrar mais detalhes sobre o caso, o órgão admitiu que foram os próprios funcionários que “pediram demissão” de seus cargos. Como o grupo era contratado pela Fundação Butantan, entidade privada ligada ao instituto, as demissões não foram publicadas no Diário Oficial do Estado de São Paulo.

Em nota enviada na manhã desta terça-feira (17), o instituto informou que houve uma reestruturação na área de ensaios clínicos. “Diante disso, o então diretor, Ricardo Palacios, pediu afastamento do cargo, assim como outros colaboradores, o que representou menos de 10% dos funcionários da área”. O órgão afirmou ainda que “o desligamento dos colaboradores ocorreu dentro da normalidade, sem nenhum prejuízo ao departamento ou aos estudos que estavam sob a responsabilidade do cientista”.

Brasil de Fato tentou fazer com contato todos os servidores para verificar quais foram os motivos pelos quais solicitaram desligamento em meio aos testes das vacinas contra a covid. Dos oito demissionários, três responderam aos contatos. Eles disseram que não podem dar detalhes sobre o caso em função de “um acordo de confidencialidade” e lamentaram não poder oferecer informações adicionais.

Em contato com a reportagem, fontes ligadas ao Palácio dos Bandeirantes refutaram a possibilidade de que a saída da equipe de pesquisas do Butantan se deu por “motivos políticos”. Uma pessoa próxima ao governador João Doria (PSDB) disse que “não faz sentido dizer que o governador intervém no trabalho do corpo técnico do Butantan”. O Brasil de Fato cobrou uma resposta oficial do gabinete do tucano. Até o momento, contudo, não houve retorno sobre o tema.

Leia a lista de servidores que pediram demissão e suas funções:

– Joane Prado dos Santos, gerente de Dados Clínicos, atuava no Butantan desde junho de 2011;

– Ricardo Palácios, diretor de Pesquisas Clínicas, atuava no Butantan desde setembro de 2011;

– Flávia Magalhães, associada sênior de Pesquisas Clínicas, atuava no Butantan desde setembro de 2014;

– Roberta Piorelli, gerente de Desenvolvimento Clínico, atuava no Butantan desde 2016 (segue atuando como médica do Hospital Vital Brazil, ligado ao instituto, em posto que ocupa desde 2010);

– Mônica Tilli, gerente de Pesquisas Clínicos, atuava no Butantan desde março de 2019;

– Camila Albuquerque, coordenadora de Operações Clínicas, atuava no Butantan desde julho de 2019;

– Ana Paula Batista, gerente de operação de Pesquisas Clínicas, atuava no Butantan desde fevereiro de 2020;

– Fabiana Valvassoura Ribeiro, gerente de operação de Pesquisas Clínicas, atuava no Butantan desde janeiro de 2021.

“Tínhamos muitas obras a tocar”

No último domingo (15), no LinkedIn, Ricardo Palácios respondeu a uma publicação de despedida do Butantan feita por Fabiana Valvassoura Ribeiro dizendo que sua “saída marca o retiro da última das cinco gerentes da Área Clínica do Butantan que trabalhou durante minha gestão”. No mesmo comentário, Palácios demonstra a contrariedade dos servidores com a saída. Em um trecho do texto, ele diz: “Pena que tivemos que deixar os instrumentos quando tínhamos ainda muitas mais obras para tocar”.

Na mesma publicação, Roberta Piorelli deseja sorte ao grupo: “Que todos tenhamos muita luz nas nossas novas jornadas e que possamos continuar fazendo a diferença na vida das pessoas sempre trabalhando com muita ética e zêlo”. Uma servidora do Butantan que permanece no órgão escreveu, também no post feito por Fabiana Valvassoura Ribeiro, que “toda equipe amada do clínico fará muita falta”, fazendo referência à área de Pesquisa Clínica, onde atuava o grupo que pediu demissão.

Brasil de Fato.

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